Quando você decide que vai ter um filho, o faz pensando em como irá educá-lo. Pensa em tudo o que vai permitir, o que gostaria que ele aprendesse, bem como o modo como gostaria que ele se comportasse. Muitos pais vão ainda mais longe: imaginam os futuros filhos praticando alguns esportes, aprendendo música, seguindo a carreira que eles mesmos seguiram, casando-se e dando a eles netos. Ao divagar em expectativas, os pais acabam não só por frustrar-se ao descobrir que suas crianças serão pessoas independentes e com gostos próprios, mas também por esquecer do mais importante: como ensinar aos filhos, ainda na infância, coisas que só adultos entendem? Se você possui crianças entre dois e dez anos, já está vivendo a fase dos “porquês”. Na maioria dos casos, as perguntas são constrangedoras ou simplesmente difíceis de responder. Por que isso acontece? Qual é o motivo pelo qual os pais enfrentam tanta dificuldade para dizer aos filhos “a verdade” sobre a vida? Se você se identifica com esta questão, leia abaixo alguns apontamentos importantes sobre como contornar os porquês do seu filho sem precisar mentir e ou ser duro demais com ele.

Por Que É Difícil Responder Algumas Perguntas Dos Pequenos?

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Ora, em muitos casos os pais querem proteger seus filhos de algumas verdades difíceis de serem aceitas. Como a inevitabilidade da morte, por exemplo, ou que os bebês não são, afinal, trazidos pela cegonha.

É difícil saber quando o seu filho estará preparado para encarar tudo sem apresentar sequelas psicológicas no futuro. Em outros casos, a dificuldade está na simplicidade da pergunta. As crianças possuem uma visão muito original das coisas. Não estão acostumadas com as relações humanas, as entrelinhas e o subjetivo. Os adultos às vezes passam pela vida sem questionar suas realidades e quando seus filhos o fazem, se veem tão ou mais desnorteados que eles.

Não é raro que os pais fiquem constrangidos com algumas perguntas ou não saibam respondê-las de imediato. Em todo caso, o ideal é se preparar para ser questionado – mesmo que você não faça ideia de quais perguntas terá que responder – em algum momento da infância de seu filho.

Ser Sincero Não Significa Ser Implacável e Não Dizer a Verdade Não Protege Ninguém

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A maioria dos pais acaba cedendo à tentação de contornar as perguntas dos filhos com algumas mentiras “inocentes”, visando sempre evitar o seu sofrimento. É importante ter muito cuidado com este tipo de atitude.

O seu filho muito provavelmente indagará outras pessoas a respeito de suas dúvidas e não é conveniente que descubra a verdade através destas pessoas.

Pior ainda se descobrir que você mentiu para ele, ele poderá ficar confuso, frustrado, iludido ou simplesmente perder a confiança em você e conversar apenas sobre suas curiosidades com outras pessoas. Faltar com a verdade não irá protegê-lo e sim confundi-lo. Mais cedo ou mais tarde ele precisará lidar com algumas adversidades da vida e será muito melhor que tenha o seu apoio neste momento e saiba que pode confiar em você.
Por outro lado, há quem pense que as crianças precisam saber de tudo, que é importante dizer sempre a verdade e que nada pode mudar alguns fatos. Embora este pensamento não deixe de fazer sentido, é importante ter cautela na hora de tratar de assuntos sérios com os seus filhos pelas primeiras vezes. É preciso ter cuidado para não traumatizá-lo e não o deixar assustado com explicações implacáveis demais. Não há necessidade de ser duro com o seu filho só porque chegou o momento de ele crescer.

Embora a intenção destes pais seja, de um modo geral, nobre – fazer com que os filhos cresçam fortes e preparados para os reveses da vida – não há necessidade de correr o risco de deixá-los ainda mais assustados. Procure pensar que algumas revelações mudarão completamente o modo de a criança analisar o mundo, ainda que de maneira inconsciente. Por isso, você precisa ser sempre sutil.

Como equilibrar?

Você deve tentar inserir algumas noções da sua realidade dentro da realidade do seu filho. Se acaso ele fizer indagações sobre algum parente falecido, por exemplo, procure fazer uma comparação com alguma história que ele conhece, sempre fazendo perguntas para que ele consiga chegar a uma conclusão através de sua própria análise. É interessante que você procure explicações lúdicas, porém correspondentes com a realidade. Muitos pais acertam em cheio ao dizer que algum parente “foi para o céu” ou “fez uma viagem para um lugar muito distante”. Não há necessidade de dissecar a noção de morte na infância, mas apenas de fazer com que a criança entenda que aquela pessoa não voltará mais. À medida que cresce, você pode acrescentar informações, detalhes e dar respostas mais completas ao seu filho. Logo ele descobrirá tudo por si mesmo de uma forma natural e saudável.
O importante é que você dê a ele as noções para que ele descubra tudo através das próprias experiências. No entanto, quando ele se aproximar dos oito ou nove anos de idade, você deverá ser o mais sincero que puder com ele. Neste momento, tire tempo para longas conversas, pois após uma descoberta que soe muito negativa para ele, ele poderá se revoltar, ficar entristecido ou desmotivado. É quando os pais devem mostrar o lado bom das coisas, situá-los no novo mundo que estão conhecendo e tentar consolá-los. Dialogue e procure apresentar o seu ponto de vista com bastante calma, sempre verificando se ele entendeu o que você quer dizer.

Por que dos porquês?

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Toda criança é rodeada de fantasia. A infância é uma das fases mais lindas justamente pela blindagem de alguns aspectos negativos da realidade adulta. A criança precisa se perder nos contos de fadas para que cresça saudável, já que não está preparada ainda para raciocinar sobre o significado de alguns assuntos. No entanto, o momento no qual o conto de fadas precisa acabar sempre chega e tem tudo para ser um marco na vida de seu filho. Você pode tornar isso muito mais fácil sabendo adotar a atitude correta e o melhor de tudo: tornar o laço entre vocês ainda mais intenso!