Desde a infância, as pessoas apresentam diferentes tipos de temperamento e comportamento.

Se você estiver em um ambiente onde é possível observar e analisar crianças interagindo, como o pátio de uma escola na hora do recreio ou uma festinha infantil, certamente poderá apontar quais são as crianças mais desinibidas e impulsivas, assim como as mais tímidas.

Poderá identificar qual é aquela que lidera o grupo, inventando brincadeiras, e também quais são as crianças que se mostram dispostas a segui-la.

Obviamente só um adulto que está de fora poderá perceber o papel de cada uma neste tipo de interação social infantil.

Em todo caso, em qualquer ambiente que você puder observar crianças, sempre notará que há alguma mais tímida.

Geralmente, fica quietinha em seu canto, fala pouco e observa muito.

Em casos mais extremos ela foge da interação, não respondendo quando a abordam ou falam com ela, buscando esconder-se de alguma forma.

Isso parece a você um comportamento normal?

O que você faria se o seu filho se comportasse assim?

Se você já lida com crianças tímidas dentro de casa e gostaria de entender melhor este comportamento, leia abaixo algumas atitudes que devem ser evitadas e recomendações importantes para que você encontre um meio termo na hora de lidar com o seu pequeno tímido.

Ser Superprotetor

Uma criança tímida, de um modo geral, constrói uma barreira entre ela e o mundo.

Na maioria dos casos, esta barreira possui como principal causa o medo.

O medo desencadeia uma série de sentimentos como ansiedade e nervosismo e geram uma dificuldade para que esta criança interaja com o meio no qual ela vive.

Para superar a timidez ela precisa encontrar uma maneira de ultrapassar essa barreira de forma natural, ou seja, superando o seu medo, matando alguns “fantasmas” dentro de si mesma e percebendo que interagir com as outras crianças e também com adultos é algo natural e que ela pertence ao meio no qual vive.

Se os pais adotam uma postura de superproteção podem impedir que ela se motive para ultrapassar a barreira que construiu, fazendo com que se sinta confortável dentro de seu próprio casulo.

Por isso, embora você certamente compreenda o quanto seu filho se sente amedrontado às vezes, é importante permitir que a coragem crie raízes dentro dele.

Por exemplo, quando for à escola, não há necessidade de que você o espere ou o leve à porta da classe.

Deixe que ele percorra este caminho sozinho, que aprenda que isso é o dia a dia dele e que nada de ruim acontecerá. Se forem a uma festa para crianças, não fique o tempo todo com ele a tiracolo.

Incentive que interaja com outras crianças. Se ele não quiser, não o obrigue.

Não Exponha a Timidez do Seu Filho Para as Pessoas

Embora muitos pais acreditem que esta atitude funcione, ela pode ser, na verdade, traumatizante.

Afinal, se você toma uma medida como esta, certamente pensa que a timidez do seu filho não passa de uma “frescura” ou mero capricho.

Apelidá-lo de coisas como “bicho do mato”, dizer que o gato comeu a língua dele e coisas afins poderão fazer com que se sinta culpado pelo seu comportamento, colocando-o em um “beco sem saída”: ele é pressionado pelo medo que sente e ainda pela exposição que você causa, que é o que ele mais teme.

Por isso, antes de levar esta questão para fora de sua casa, procure descobrir o que causa a timidez dele e desconstruir esta causa gradativamente.

Este tipo de comportamento pode fazer com que ele se revolte e guarde mágoas de você.

Comparar Com Outras Crianças

Não há nada pior do que se sentir inferior a alguém que você considera seu semelhante, sobretudo na infância.

Pais que adotam este comportamento geram sequelas que podem persistir pelo resto da vida, especialmente quando esta comparação é feita com o irmão.

Você pode incentivar o seu filho a fazer alguma atividade, dizendo “olhe Joãozinho, está colorindo e se divertindo, por que você não vai também?” em frases como esta não há sentimento de inferioridade, mas sim incentivo à interação.

No entanto, frases como “olhe como Joãozinho é inteligente, conversando com todos ao redor dele, você deveria ser assim também!” são graves e podem dar origem a sentimentos de inferioridade, despertar o hábito de sentir inveja e o pior: não contribuem para que ele se sinta menos tímido!

Ao compará-lo com outras crianças você corre o risco de humilhá-lo e fazer com que se sinta ainda mais reprimido.

Forçar o Pequeno a Fazer Algo Que Não Deseja

Esta atitude segue a mesma linha de expor a timidez do seu filho, sendo, no entanto, muito mais grave.

Obrigá-lo a se expor pode fazer com que se sinta extremamente embaraçado e constrangido e que tenha ainda mais medo de todo e qualquer tipo de interação.

Como não se sente preparado para interagir, o fará de modo a ser motivo de chacota e todas as coisas que teme se tornarão realidade.

Por isso, jamais o obrigue a fazer algo que ele não deseja, especialmente na frente de outras pessoas.

A força é o método menos eficiente e mais danoso de resolver qualquer problema, lembre-se sempre disso.

Ser Atoritário

Você deve concordar que uma criança tímida já traz dentro de si uma considerável carga de medo, certo?

Imagine se ainda tiver que lidar com pais autoritários e inflexíveis?

Por mais que a educação que você mesmo teve tenha lhe ensinado isso ou que as suas crenças exijam que você eduque os seus filhos desta forma, certamente não é a melhor opção quando falamos de crianças tímidas.

Sendo autoritário, você joga fora as chances de diálogo com o seu filho, impedindo a si mesmo de conhecê-lo e ajudá-lo.

Portanto, dê uma trégua, ao menos neste caso e seja um pouco mais flexível e compreensivo.

Tente entender que ele possui limitações importantes e que precisa de sua ajuda para se sentir seguro e destruir a barreira que construiu entre ele mesmo e o mundo lá fora.